Quem sou eu

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Prazer, me chamo Kênia, moro em Brasília – DF, sou professora de inglês, canceriana, torcedora do Palmeiras, amante de chocolate e gatos. Tenho como paixão a música, especialmente o rock. Minhas bandas do coração são o Oasis e o Skank. No mesmo nível de paixão está a leitura e o cinema. Adoro seriados inteligentes e de super heróis, e às vezes algo meloso e fofinho pra dar uma equilibrada. Leio de tudo um pouco, mas sou fascinada por distopias, thrillers, fantasia e mitologia. Tenho uma queda pela escrita do Neil Gaiman e do Stephen King e adoro descobrir escritores novos de escrita instigante, principalmente os nacionais. Amo viajar e conhecer novas culturas e lugares históricos. Londres é meu lugar favorito no mundo e tive a oportunidade de desbravar essa maravilha de cidade três vezes. Já pisei em 12 países e só penso em aumentar a lista. Iniciei esse blog há 3 anos com o intuito de compartilhar experiências de um pouco de tudo: resenhas de livros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, dicas de inglês, experiências e pensamentos pessoais. Divirtam-se ♥

domingo, 1 de janeiro de 2017

DESAFIO LITERÁRIO 2017

Inspirada por uma booktuber, resolvi fazer uma lista para ler alguns livros que estavam encostados na estante. Tantos livros bons que eu deixava serem passados na frente por outros lançamentos. Mas agora vai ser sério! Segue minha lista desse ano de 2017: 

Janeiro
Fahrenheit 451 - Ray Bradbury ✓
A Revolução dos Bichos - George Orwell ✓
Três coisas sobre você - Julie Buxbaum ✓
1984 - George Orwell ✓

Fevereiro
A Vida do Livreiro - A.J. Fikry ✓
Torre Negra I - Stephen King ✓

Março
A Bela e a Adormecida - Neil Gaiman ✓
João e Maria - Neil Gaiman ✓
Torre Negra II - Stephen King 

Abril
Unforgiven - Lauren Kate ✓
Twisted - Gena Showalter ✓
Everybody Sees The Ants - A.S. King ✓

Maio
Agora e Para Sempre Lara Jean - Jean Han ✓

Junho
Passarinha - Kathryn Erskine ✓
Caixa de Pássaros - Josh Malerman
Em Águas Sombrias - Paula Hawkins

Julho
A Rainha Vermelha - Victoria Avenyard
Espada de Vidro - Victoria Avenyard
A Prisão do Rei - Victoria Avenyard

Agosto
Anjos e demônios - Dan Brown
Por um toque de sorte - Carolina Munhoz

Setembro
City of Glass - Cassandra Clare
Argo - Matt Baglii

Outubro
City of Fallen Angels - Cassandra Clare

Novembro
Crime e Castigo - Dostoiévski

Dezembro
Belas Maldições - Neil Gaiman
Legend - Marie Lu
Prodigy - Marie Lu
Champion - Marie Lu

sábado, 31 de dezembro de 2016

BALANÇO LITERÁRIO 2016


2016 foi um ano de muitas leituras divertidas, surpreendentes, apaixonantes, cheias de reviravoltas e bem relevantes para mim. Foi difícil escolher 10 livros entre os 31 que li esse ano, pois todas as leituras foram prazerosas, mas aqui está meu Top 10 de 2016, com um livro de bônus que eu não podia deixar de fora!
Recomendo a todos que adoram se aventurar no mundo dos livros. 
Que venha 2017 e mais leituras! :)

1- Deuses Americanos - Neil Gaiman
2- Os Filhos de Anansi - Neil Gaiman 
3- A Playlist de Hayden - Michelle Falkoff
4- Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven
5- Memórias de um Legionário – Dado Villa-Lobos
7- Sonata em Punk Rock – Babi Dewet
8- Surpreendente – Maurício Gomyde
9- Quando o Amor Bater à sua Porta – Samanta Holtz
10- Como eu Era Antes de Você – Jojo Moyes
Bônus: Jantar Secreto – Raphael Montes

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

RESENHA: OS TREZE PORQUÊS - JAY ASHER

Há muito tempo eu queria ler Os 13 Porquês, e acabei emendando com outros dois livros que tratam do mesmo assunto: suicídio. Gostei da experiência, mas confesso que não foi fácil.

"Às vezes temos pensamentos que nem mesmo a gente entende. Pensamentos que nem são tão verdadeiros - que não são realmente como nos sentimos -, mas que ficam rondando nossa cabeça porque são interessantes de pensar." 


Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

"Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa."

Hannah Baker está passando por uma situação difícil: como ela é nova na cidade, ela se sente sozinha, não tem amigos. Seus pais estão mais preocupados com seus trabalhos do que com a vida de sua filha, que está tendo de encarar fofocas e boatos pesados demais para uma adolescente tão sensível. Por diversos momentos, ela estava pedindo socorro, mas ninguém notou.

13 motivos a levam a cometer suicídio que são gravados em 7 fitas cassete. Elas devem passar por todas as pessoas que a fizeram sofrer, aos possíveis culpados de seu suícidio. Até que elas chegam em Clay Jensen, que fica confuso, já que não consegue pensar em nada que tenha feito que possa ter contribuido para Hannah se matar, afinal eles só haviam ficado juntos uma vez- numa festa bastante comprometedora para muitos.

"É por isso que, nesse exato momento, sinto tanto ódio. De mim mesmo. Eu mereço estar nessa lista. Porque se eu não tivesse tanto medo dos outros poderia ter falado para Hannah que havia alguém que se importava. E ela poderia estar viva."

Ele escuta as fitas enquanto caminha pela cidade, pelos lugares que Hannah menciona na fita e assim vai descobrindo um outro lado de pessoas que ele achava que conhecia. Entre elas, incluia a própria Hannah, da qual ele nutria um sentimento, mas nunca teve coragem de se declarar.

A narrativa fica por conta de Clay, alternando com as gravações de Hannah. No início é confuso, até você se acostumar com a dinâmica e sair pela cidade acompanhando o Clay e os dramas vividos por Hannah. Tenho que dizer que ela foi muito forte por ter aguentado tantas situações humilhantes, e foi triste em ver como os adolescentes são cruéis quando rotulam certas pessoas, sem imaginar nas consequências do que aquele ato pode desencadear.
Outra coisa é como os adultos não conseguem enxergar isso, já que quando jovens, é neles que buscamos refúgio, no caso da Hannah, infelizmente não houve, nem por parte dos pais, como do conselheiro da escola. 

Fica a dica de mais um livro envolvente e com uma mensagem triste, porém relevante. Ele sensibiliza o leitor a prestar mais atenção nas pessoas que estão ao nosso redor, a escutá-las mais. Isso pode ajudar muita gente na mesma situação. 

RESENHA: VERÃO DE CONQUISTAS - ADRIANA BRAZIL

"Meus amigos foram anjos, foram irmãos, foram um presente, foram um sopro em um mundo morto. Sempre que eu olhar para eles, me virá à memória a palavra gratidão somada com fidelidade, sinceridade e verdade. Meus amigos são a minha história."

E chegou ao fim a série Foi Assim que te Amei, da Adriana Brazil. Uma história de amor que aconteceu ao decorrer das quatro estações. São histórias simples, mas bastantes emocionantes. Além do amor, os livros retratam laços de amizade, perdas, doenças e esperanças. Os personagens são universitários, que vão trilhando os seus caminhos em meio a situações delicadas, por vezes difíceis de superar, mas trazendo lições de amizade e fé.



Sinopse: É verão em Florianópolis, a estação dos dias ensolarados, do céu azul, dias mais longos e árvores verdes, embalados pelo cantar dos pássaros em seus ninhos. No meio desse cenário inspirador, viveremos as últimas emoções ao lado de Helen e da turma da UFSC. As revelações que foram guardadas por tanto tempo virão à tona, assim como desafios, lágrimas, sorrisos, lutas e despedidas. Como uma brisa que sopra nos fins de tarde, da mesma maneira eles entenderão o motivo do verão repousar em cada lembrança. Um tempo inesquecível de momentos que nunca irão se apagar, de uma saudade que ficará e será lembrada em cada pôr do sol. O amor deixará provado que ele prevalece em todas as estações, e o Verão nunca mais será esquecido.







"Nossa amizade é nossa vida, nossa história, nossa existência! Não importa o que venha, nossa amizade subsiste a tudo, o que construímos é maior do que essa divida."

Em Verão de Conquistas, acompanhamos a vida de casados de Helen, com sua descoberta diária do que é preciso para fortalecer essa união, que vai muito além do amor, que ambos têm de sobra. Apesar de contar com a presença da família e dos amigos, ainda há algo estranho rondando a vida do casal, a impressão é de precisam acontecer certas coisas para que o ciclo enfim se feche.

A amizade de Andrew e Richard é posta a prova: Karen, responsável por atormentar a vida dos amigos no volume anterior, volta e ameaça Richard, já que ele sabe quem estava no carro que causou o acidente que deixou Andrew hospitalizado e levou sua mãe a óbito. Richard nunca contou nada para Andrew por um motivo, e isso desestabiliza a amizade deles, nos mostrando um Andrew intolerante e rancoroso, que não sabe se consegue perdoar a omissão do amigo de infância.

"Quando os sonhos não se tornam realidade, deve ser uma maneira de Deus dizer que ainda não estamos prontos para recebê-los. - Meus olhos ficaram cheios de lágrimas novamente. - Mas vai chegar o dia em que o sonho será realizado. Nesse dia, vai se lembrar de tudo que passou até alcançá-lo e irá perceber o quanto você cresceu. O agradecimento será maior e o aprendizado nunca mais será esquecido."

Em meio a esse clima que abala todos os amigos, Helen acaba correndo risco de vida, e Andrew vai precisar de apoio de todos os seus amigos, incluindo Richard, e de toda a sua fé para encarar essa fase difícil.

Adriana escreveu esse livro com mais ênfase no Richard, um dos melhores amigos de Andrew, assim como Primavera foi com o Alan. Tenho que dizer que Richard sempre foi meu personagem preferido, bem mais do que o casal de protagonistas. Sou a favor de um livro só dele!
Ele, sempre o mais sensato e sábio dos amigos, a quem todos procuravam em momentos difícies, teve seu inverno e, meu Deus, como foi sofrido vê-lo sofrer! Principalmente porque o motivo do sofrimento foi elevado ao máximo e a única pessoa que poderia tirá-lo disso era Andrew, com seu rancor irredutível.

"Nenhuma dor pode ser mais forte que nossa vontade de vencer e sorrir novamente. E se é certo que o inverno é passageiro, também preciso acreditar que Deus sempre está lá, ou melhor, Ele sempre está aqui, perto de mim, por detrás da minha dor, querendo que eu creia que o verão vai chegar com seu fulgor e vivacidade. Ele nunca nos abandonou. Nunca. Toda estação tem sua importância para a humanidade, até mesmo nos dias frios." 

Verão de Conquistas teve um desfecho bacana para essa série. Sua mensagem de fé, perdão e valor das amizades foram transmitidas de forma leve, doce e emocionante, com muitas frases de sabedoria, que vou carregar comigo pra vida.

Recomendo essa série aos amantes de um bom romance, se aventurem por esse romance que atravessa as estações: Outono de Sonhos, Inverno de Cinzas, Primavera de Cores e Verão de Conquistas!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

RESENHA: POR LUGARES INCRÍVEIS - JENNIFER NIVEN

"O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa."



Sinopse: Por Lugares Incríveis - Dois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver. Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

"Não sou perfeita. Tenho segredos. Sou uma bagunça. Não só o meu quarto, mas eu mesma. Ninguém gosta de bagunça." 

Estados Unidos, Indiana. Por Lugares Incríveis conta a história de Violet Markey, uma garota que tem uma vida perfeita: bonita, popular, namora o jogador de futebol americano mais bonito do colégio. Apaixonada por escrever, possui um blog de variedades com sua irmã Eleanor. Infelizmente essa perfeição se desfaz quando ela e sua irmã sofrem um acidente de carro, deixando Violet como única sobrevivente. 
Confusa e sem saber como lidar com isso, Violet deixa de escrever, tanto no blog como trabalhos escolares, desenvolve uma fobia de carros e não sabe mais se quer cursar Escrita Criativa em alguma universidade dos Estados Unidos.

"Quero me afastar de todos os rótulos. “Tenho TOC”, “Tenho depressão”, “Eu me corto”, eles dizem, como se essas coisas os definissem. Tem um coitado que tem déficit de atenção, é obsessivo-compulsivo, tem transtorno de personalidade limítrofe, é bipolar e, ainda por cima, tem um tipo de transtorno de ansiedade. Eu nem sei o que é transtorno de personalidade limítrofe. Sou o único que é só Theodore Finch."

Theodore Finch é o garoto "Aberração". Possui a fama de bad boy na escola por não se enquadrar aos grupos  e esteriótipos existentes, ele faz e fala o que quer. Tem dois amigos, Charlie e Brenda, que estão acostumados a seu jeito excêntrico e aos seus sumiços, o último, quando ficou quase dois meses sem aparecer na escola.
O que eles não sabem — ou não se dão trabalho de notar — é que Finch é um garoto depressivo, que passa boa parte dos seus dias apagado em uma cama, e que muito das atitudes loucas que toma é com um único propósito: se sentir vivo. 

"Aprendi que existem coisas boas no mundo se você procurar por elas. Aprendi que nem todo mundo é uma decepção, incluindo eu mesmo."

Finch e Violet se encontram pela primeira vez no alto da torre da escola. Finch tem uma fixação pela morte, tanto que possui um diário onde anota várias ideias sobre suicídio, com informações e se as tentativas deram certo. Em uma de suas pesquisas de campo, no alto da torre da escola, ele vê Violet e não entende bem porque ela está lá.
Finch, em sua luta para não apagar mais, acredita que estar lá na torre lhe dá controle. Já Violet, não vê perspectiva de vida sem sua irmã. 
Ele consegue fazer com que ela não pule, mas uma comoção chama a atenção dos outros alunos da escola. Ele então inventa uma história, onde Violet é uma heroína, impedindo Finch de se matar. Todos acreditam.

"Conheço a vida bem o suficiente para saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nos mesmos de ir embora."

O professor de geografia passa um trabalho e os dois se veem juntos novamente. Eles precisam ir em dois lugares de Indiana que nunca foram antes e descrever porque eles são marcantes. É em meio à procura e descoberta de lugares desconhecidos, que uma amizade incrível cresce, algo inesperado pelos dois. Finch e Violet descobrem não somente lugares incríveis, mas que há magia nas coisas mais simples e que a felicidade deve ser buscada, mesmo que seja em meio ao temporal que ambos vivem.

"O que eu sei sobre transtorno bipolar é que é um rótulo. Um rótulo para pessoas loucas. Sei disso porque fiz um semestre de psicologia e vi filmes e convivi com meu pai durante quase dezoito anos, embora ninguém jamais o rotulasse, porque senão ele mataria a pessoa. Rótulos como “bipolar” significam: É por isso que você é assim. Esse é você. Reduzem as pessoas a doenças."

Esse livro me tocou de todas as formas, principalmente da metade para o final.  Jennifer escreve um  ínicio leve, justamente para nos preparar para as emoções que virão a seguir. Nesse livro é retratado temas como depressão, transtornos bipolares e tendências suicidas de uma forma leve e tocante. Com a narrativa alternada de Finch e Violet, acompanhamos o drama vividos por eles. Violet só precisa de um impulso pra voltar a viver, já que sua cabeça é povoada de  beleza e inspiração. Finch é esse estopim, suas insistências e criatividade, a encorajam a voltar a viver.

Finch é um rapaz melancólico, mas de bom coração. Ele tem atitudes imprevisíveis, mas se importa com as pessoas, uma pena não ser recíproco. Ele sofre com esses apagões que são completamente ignorados por sua família disfuncional. Seu pai, um ex-jogador de hóquei, batia muito nele quando era mais jovem, e abandonou a família por não aguentá-los mais. Já sua mãe, uma mulher que tem dois empregos e raramente está em casa para ouvir as importantes mensagens da secretária eletrônica a respeito de Finch, não consegue perceber que tem algo errado com seu filho.

Ao passar as páginas, a sensação é de querer pular para dentro do livro e tentar ajudá-los com seus dramas, mas ao visitar os lugares por Indiana, eles acabam por se ajudarem, por se entenderem, e isso nos dá um conforto.
Os lugares visitados por Finch e Violet são verídicos e há um mapa no final do livro no qual é possível consultar cada um deles, assim como suas descrições. Além disso, vamos ver uma adaptação para o cinema, chegando em 2017!
Recomendo a leitura de uma das minhas leituras favoritas desse ano. É reflexivo, emotivo, tocante, apaixonante!

"O problema das pessoas é que elas esquecem que na maior parte do tempo o que importa são as pequenas coisas. Todo mundo está tão ocupado no Lugar de Esperar."

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

RESENHA: CARTA DE AMOR AOS MORTOS - AVA DELLAIRA

Por favor, leiam esse livro!

"Sabe, acho que, quando você perde alguma coisa próxima, é como perder a si mesmo. É por isso que, no final, até escrever é difícil para ela. Ela quase não sabe como fazer. Porque quase não sabe mais quem ela é."


Sinopse: Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

"Querido Kurt Cobain,
Hoje a sra. Buster passou nossa primeira tarefa de inglês: escrever uma carta para uma pessoa que já morreu. Como se a carta pudesse chegar ao céu ou a uma agência de correio dos fantasmas. Acho que ela queria que a gente escrevesse para um ex-presidente ou alguém do tipo, mas preciso conversar com alguém. Eu não poderia conversar com um presidente. Mas posso conversar com você."

O livro é narrado por Laurel, uma jovem de 15 anos, que está tentando recomeçar a sua vida após a perda da sua irmã e melhor amiga, May. May era uma garota que vivia intensamente e isso fazia com que Laurel a admirasse muito. Elas tinham uma amizade e cumplicidade muito forte e Laurel sonhava em um dia ser igual a irmã. Mas uma tragédia atrapalhou seus sonhos. 

"Mas, na vida, a gente nunca tem certeza do que vai acontecer , mesmo que planeje tudo. Pode haver uma reviravolta, acontece sempre."

Pra completar essa perda, sua mãe se muda para a Califórnia, com a desculpa de precisar de um tempo para se recompor, deixando-a com o pai e sua tia Amy, com quem ela mora uma semana sim, outra não. Tendo que lidar com os problemas da separação, Laurel decide mudar de escola para evitar qualquer tipo de questionamento dos amigos.

"Um amigo é alguém que dá liberdade total para você ser você mesmo – e especialmente para sentir ou não sentir. Qualquer coisa que você sinta naquele momento está bom para ele. É o que o amor verdadeiro significa – deixar alguém ser ele mesmo."

No seu primeiro dia de aula no ensino médio, a professora de inglês pede a seus alunos o seguinte trabalho: escrever uma carta para uma pessoa que já morreu. Laurel não escolhe apenas um destinatário, ela escolhe vários, dentre eles: Amy Winehouse, River Phoenix, Kurt Cobain, Janis Joplin, Jim Morrison e Heath Ledger. Cada capítulo é uma carta que dá detalhes da rotina e dos acontecimentos de sua vida, assim como desses ídolos, um lado deles como seres humanos, com suas qualidades e defeitos.

"Percebi que existe uma razão para Kristen, Tristan, Natalie, Hannah e eu estarmos juntos ali _ somos todos estranhos de um jeito diferente, e isso é normal. E mesmo que exista muita coisa que eu não possa dizer a eles, é bom me sentir parte de um grupo."

Laurel faz das cartas um diário e nos conta como está se adaptando a nova escola, como se sente em relação aos pais separados, seus novos amigos, suas aventuras. 
Ela conhece Hannah, a destemida jovem dos cabelos ruivos, e Natalie, a jovem apaixonada. Com elas, Laurel vai conhecer um mundo de festas, bebidas, drogas e confusões. Além delas, o grupo de amigos se completa com Tristan e Kristen, um casal hippie que tem os melhores gostos musicais e que aconselham Laurel por diversas vezes.

"Quando olho para Sky lembro que o ar não é apenas algo que existe, mas que se respira. Mesmo que esteja do outro lado do pátio, consigo ver o peito dele se movendo. Não sei porque, mas, neste lugar cheio de desconhecidos, fico feliz que Sky e eu estejamos respirando o mesmo ar. O mesmo ar que você respirou. O mesmo ar que May respirou."

Sua paixão é Sky, um garoto misterioso, que desde o primeiro dia de aula, Laurel observa. Ela não sabe como chegar nele, ou mesmo se ele se interessaria por ela. Ela então passa a se vestir com as roupas de May e a se comportar como se estivesse na pele da irmã, pra ver se ele olha pra ela, como as pessoas olhavam para May.

"Você usava roupas como se fossem uma armadura, mas, nas músicas, se abria totalmente. Estava disposta a se expor sem se importar com o que as pessoas pensavam. Eu gostaria de ser assim."

Cartas de Amor aos Mortos é um livro super musical. Durante a narrativa a autora vai citando músicas épicas de artistas incríveis. Para os fãs de rock, como eu, esse livro é um presente. Sou apaixonada por Nirvana e Jim Morrison e ao longo da leitura fiquei encantada com tantas referências.

"Kurt, parece que você conhecia May, Hannah e Natalie, e a mim também.
Como se enxergasse dentro de nós. Você cantava sobre o medo, a raiva e todos os sentimentos que as pessoas escondem. Até eu. Mas sei que você não queria ser nosso herói. Não queria ser um ídolo. Só queria ser você mesmo. Só queria que escutássemos sua música."

A escrita de Ava é poética, fluída e seus personagens são bem construídos, cada um com seu dilema, como o luto e como lidar com ele, violência doméstica, o uso abusivo do álcool, traumas da infância, como a separação dos pais afeta a vida de seus filhos, entre outros.
É bacana ver o amadurecimento da Laurel ao escrever as cartas, buscando entender a morte da irmã através da morte desses artistas queridos que nos deixaram tão cedo.

Não preciso nem dizer o quanto gostei desse livro, basta ver a quantidade de quotes que destaquei. Esse é um livro de sentimentos e descobertas que eu gostaria que todos pudessem ler.

domingo, 25 de dezembro de 2016

RESENHA: JANTAR SECRETO - RAPHAEL MONTES

"O ser humano nasce
Cresce,
Reproduz-se,
E é servido no jantar."

Jantar Secreto, último lançamento do autor Raphael Montes, é uma obra incrível, surpreendente e que requer estômago para encarar a história. Algumas partes podem ser bem fortes para os leitores, mas são necessárias para a história. Eu recomendo demais!


Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.

"Você provavelmente quer saber como tudo começou. Se não for o tipo de pessoa que se impressiona à toa, posso te contar os detalhes."

Rio de Janeiro. Jantar secreto é narrado por Dante, que é gay assumido, estudante de administração e que trabalha em uma livraria. Leitão, o hacker da turma, cada dia mais gordo, vai ao Rio para estudar Ciência da Computação e traz consigo seus traumas de infância. O mais certinho dos amigos é Miguel, estudante de Medicina e estagiário em um hospital público e por último, Hugo,  o típico bonito e babaca,  com o sonho de ser chef de cozinha, mas que sua arrogância o limita a trabalhar em pequenos buffets, já que foi demitido de vários restaurantes.

Para manter o apartmento dos sonhos em Copacabana, os rapazes tinham que ralar bastante, só que eles não contavam com a crise que o país começou a enfrentar naquele ano. O aluguel foi para às alturas, mas até então, eles conseguiam pagar certinho. Até Leitão os colocar em uma roubada. Ele era o responsável por fazer os depósitos do aluguel e por seis meses ele não o fez, simplesmente porque ele usou a grana para satisfazer seus "prazeres sexuais". O corretor conversa com Dante e dá um ultimato, paga a dívida que beirava os R$26.000 ou procurar outro lugar pra ficar.

"O ser humano é um bicho escroto por natureza. Não importa o que digam, todo mundo é assim. Ricou ou pobre, negro ou branco, velho ou novo, não interessa. Somos todos iguais em escrotidão."

Eles ficam com muita raiva do gordo, que não trabalhava, só ficava enfurnado em seu quarto, rodeado de restos de comida, roupa suja e seu computador. Ele não ajudava em nada, mas mesmo assim, os outros três não o expulsam do apartamento por causa de seu passado traumático e por sugestão do próprio Leitão, pensam em uma solução para pagar a dívida.
Como eles têm um chef de cozinha muito bom entre eles, Leitão sugere que eles ofereçam um jantar com comidas exóticas para pessoas ricas e enfim conseguir arrecadar a grana para o aluguel. Hugo, o chef, montou um menu super bacana com carne de cordeiro, mas Leitão, ao fazer o cadastro do jantar no site, troca a carne de cordeiro por carne humana! Eles não esperavam que a interesse fosse tão imediato e que mesmo aumentando o valor por pessoa, o depósito seria feito tão rápido!

"Deixa de ser besta... A mulher já estava morta. Depois de morto, todo bicho é igual. Você é engraçado, sabia? Se a carne vem naquele pacote, coberto no plástico transparente, você não se importa. Pega, frita e come sem nem pensar de onde veio. Agora fica aí, cheio de mi-mi-mi. Quer saber? A única diferença é que não sou hipócrita como você." 

Depois de um estresse entre os amigos, era hora de arrumar a carne humana. Mas como? A solução era roubar um corpo e Miguel, tinha o passe livre para isso. Porém, com seus princípios, não foi fácil convencê-lo a ajudar. 
Corpo roubado, feito os cortes, eles deixam a carne na geladeira. No dia seguinte, eles sentem um cheiro de podre e percebem que o freezer se desligara sozinho, estragando toda a carne humana! E agora? Os 10 convidados já tinham pago pelo jantar e eles precisavam da grana pra o aluguel mais do que tudo! 

Depois de muita briga e estresse, Hugo conseguiu um corpo, deixando todos confusos em como ele conseguiu. Mas naquele momento não importava mais, tinha que ser feito o jantar, que foi um verdadeiro sucesso e não somente serviu para pagar o aluguel, como os envolveu em situações cada vez mais perigosas e obscuras.

"Já pararam pra pensar que o canibalismo pode ser a solução mais imediata pra fome no mundo? Quero dizer, não comemos nossos próprios mortos por uma questão cultural. Não fomos criados assim. Acontece que enterrar os mortos é um grande desperdício de carne saborosa que poderia ser usada como alimento. Mesmo na vila mais pobre da África, onde pessoas passam fome, há carne sendo desperdiçada nos enterros. Por que não comer? O que mata essas pessoas de fome é esse impedimento moral de comer os semelhantes."

A quantidade de dinheiro que circula nesse meio, com certeza sobe a cabeça deles, fora os dramas pessoais que cada um está vivendo, que os coloca nessa cilada que são os jantares. Eles precisam de mais grana, seja para resolver certas situações, ou para puro prazer.
Muita coisa é colocada em cheque, como a amizade dos quatro: será que eles são mesmo amigos ou era por pura conveniência, pois cresceram juntos? Afinal, eles não tinham nada em comum. Além disso, eles estavam tão envolvidos nos jantares, que não questionavam como a "carne de gaivota", como foi apelidada a carne humana, era obtida.

Jantar Secreto é um livro que questiona o que é ser jovem nos dias de hoje, o que é ser bem-sucedido e até onde o ser humano vai para alcançar aquilo que deseja. Além de criticar a criminalidade presente no nosso país – o que muitas vezes passa despercebido por nós.
De narrativa impactante, por diversas vezes nos vemos encantado com a descrição das comidas, que dá muita vontade de provar até você ficar enjoado ao lembrar que é carne de gaivota.
A escrita do Raphael é fluida, com várias reviravoltas e com doses de humor negro. Ele nos supreendeu com mais uma obra incrível e só tenho a recomendar a leitura de todos os seus livros. Suicidas continua sendo meu livro favorito dele, mas esse já ganhou o seu lugar especial. 

"Até hoje, esse enigma exerce grande fascínio sobre mim. Nessa história, o que não sai da minha cabeça não é a morte da mulher do sujeito, nem o fato de ele ter jantado a coitada achando que era carne de gaivota, nem de ter se matado por isso. O que me fascina é que o marido comeu carne humana sem saber. E mais: gostou."

Assistam ao booktrailer: