Quem sou eu

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Prazer, me chamo Kênia, moro em Brasília – DF, sou professora de inglês, canceriana, torcedora do Palmeiras, amante de chocolate e gatos. Tenho como paixão a música, especialmente o rock. Minhas bandas do coração são o Oasis e o Skank. No mesmo nível de paixão está a leitura e o cinema. Adoro seriados inteligentes e de super heróis, e às vezes algo meloso e fofinho pra dar uma equilibrada. Leio de tudo um pouco, mas sou fascinada por distopias, thrillers, fantasia e mitologia. Tenho uma queda pela escrita do Neil Gaiman e do Stephen King e adoro descobrir escritores novos de escrita instigante, principalmente os nacionais. Amo viajar e conhecer novas culturas e lugares históricos. Londres é meu lugar favorito no mundo e tive a oportunidade de desbravar essa maravilha de cidade três vezes. Já pisei em 12 países e só penso em aumentar a lista. Iniciei esse blog há 3 anos com o intuito de compartilhar experiências de um pouco de tudo: resenhas de livros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, dicas de inglês, experiências e pensamentos pessoais. Divirtam-se ♥

domingo, 27 de outubro de 2013

FILHOS DO FIM DO MUNDO- FÁBIO M. BARRETO

Esse ano conheci escritores nacionais incrivelmente fascinantes. Posso dizer que a literatura nacional é algo que tem me dado muito prazer em acompanhar, em descobrir, em me surpreender.
E Fábio M. Barreto foi uma dessas surpresas. 
Fábio é escritor, jornalista e cineasta. Especialista em ficção científica, atualmente mora em Los Angeles onde trabalha como correspondente. Possui um site interessantíssimo, onde escreve sobre temas variados dos Estados Unidos: US Reporter
Seu primeiro livro, Filhos do Fim do Mundo, lançado pela selo Fantasy da editora Casa da Palavra, não é só mais uma história sobre um possível apocalipse. É surpreendente como a história consegue ser envolvente ao mesmo tempo em que nos leva à reflexão do futuro da humanidade, quando o poder e a ganância falam mais alto. E qual é o nosso papel nisso tudo?

Sinopse: QUANDO AS CRIANÇAS DO MUNDO PARAM DE NASCER, UM REPÓRTER SE PREPARA PARA SUA ÚLTIMA MATÉRIA SOBRE O COMEÇO DO FIM DO MUNDO. É meia-noite quando a humanidade é surpreendida pela notícia: todas as crianças nascidas nos últimos 12 meses morreram misteriosamente. Descobrem também que plantas e filhotes também morreram. Um repórter responsável por cobrir os eventos preparativos para o fim do mundo, deixa sua esposa grávida em casa, partindo para uma perigosa missão investigativa, em que terá que enfrentar grandes desafios para proteger aqueles que ama. Em Filhos do Fim do Mundo, acompanhamos a saga de um repórter tentando se equilibrar entre sua função de pai e jornalista em meio ao caos pré-apocalipse. As catástrofes se misturam com a tensão psicológica do personagem em um envolvente romance que vai encantar os amantes de ficção.






É meia-noite de um mês de dezembro aleatório. Som de sirenes, gritos e choro pairam sobre o mundo. Ninguém entende porque as crianças de até um ano de idade e as que estão nascendo estão mortas. Preocupado com a reação das pessoas, o governo decide derrubar a internet assim como a rede telefônica, visando preservar as informações até descobrir o porque das mortes e o que fazer para impedi-las.
Porém, não é somente as crianças que estão morrendo, filhotes de animais e todas as lavouras, com a mesma característica, menos de um ano de idade, estão morrendo. 
Em meio ao caos, temos um Reporter preocupado com sua Esposa, que está a apenas alguns dias de dar à luz. Ele se envolve com o governo com o objetivo de descobrir o que está matando os bebês. Existem umas comunidades isoladas do mundo e elas podem ser a resposta para todo esse caos e chegar a tais comunidades é um risco que o Reporter está disposto a correr. Só que as cidades já começam a entrar em pânico. 
A partir daí acompanhamos cidadãos indo às ruas em busca de respostas junto ao governo. Muitos querendo ajudar, outros como o Blogueiro, usando seu poder de persuasão para causar desordem. Nada diferente do que encontramos hoje. Temos o retrato da sociedade em que alguns querem conversar; outros que querem fugir; há os que querem desmascarar o governo assim como os que só querem causar desordem. É nesse giro de informação que boatos surgem, e uma revolta popular surge com um massacre realizado pelos militares. É o poder da desinformação, mais exemplos do que temos nos dias de hoje.
O livro todo é narrado em terceira pessoa, e Fábio não dá nome aos personagens, ele usa suas profissões e status na sociedade. Além de não mencionar o nome da cidade onde tudo acontece, é incrível a atemporalidade da história. Isso nos abre um leque de possibilidades e podemos imaginar essas personagens em nosso cotidiano.
O leitor é levado a uma reflexão em pontos que muitos evitam discutir, como religião, política, a relação entre fé e perdão, Deus e o porque de todos os problemas do mundo, humanidade ou a total falta dela. Assim como drama, amor, ganância, egoísmo, conspirações e sacrifício.
Eu indico esse livro pela característica única e brilhante, Fábio escreve absurdamente bem, de uma forma que você não quer perder nenhum detalhe do que está sendo abordado. Me apaixonei pelo trama, pela apresentação dos personagens e pelo final surpreendente de perfeito. Um livro que daria um filme impressionante.

Abaixo segue algumas citações marcantes do livro:

"Teria tempo, não fosse a desnecessária discussão religiosa. Teria tempo, não fosse por Ele. Sempre Ele, cuja simples menção impedia as pessoas de realmente se amarem. Defendê-Lo, atacá-Lo, justificá-Lo, idolatrá-Lo sempre sobrepunha o amor ao próximo." pg. 43

"Teremos futuro? Há um certo limite aceitável pelas pessoas. Um susto provocado por um acidente é superável. A incerteza completa, provavelmente não." pg. 61

"Devemos escolher no que acreditar. E, neste momento, acreditar em nós mesmos é tudo o que nos resta. Já tem gente demais lá fora esperando por uma tragédia e o medo é mais contagiante que nossa esperança romântica." pg. 142

"Um amigo me disse que trocar uma vida por duas é uma troca justa. O mínimo que posso fazer é abrir mão da minha necessidade de contar a verdade e salvar milhares de vidas. Evitar massacres e destruição precisa valer mais que passar o resto dos meus dias com amargura e arrependimento." pg. 204

"Acredito em tantas coisas por conta das provas disponíveis. Mas desejo todas as outras que, eventualmente, falham ao me convencer da verdadeira função ou relevância. Desejo é a palavra. Um milagre pressupõe a existência de alguém, ou de alguma força, capaz de realizá-lo. Um desejo é mais abstrato, na maioria das vezes, mais inacessível. Talvez por isso só os gênios, e não os deuses, concedam desejos. Milagres são finitos. Acontecem ou não. Mesmo os desejos realizados são substituídos por novas vontades. Desejos são insaciáveis, logo, infinitos." pgs 240, 241

Um comentário:

  1. Esse trechinho sobre esperança romântica é fenomenal. Gostei pra caramba do livro, fico feliz de ter topado com mais uma pessoa que curtiu a história :)

    Bjs!

    Raquel
    www.pipocamusical.com.br

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