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Prazer, me chamo Kênia, moro em Brasília – DF, sou professora de inglês, canceriana, torcedora do Palmeiras, amante de chocolate e gatos. Tenho como paixão a música, especialmente o rock. Minhas bandas do coração são o Oasis e o Skank. No mesmo nível de paixão está a leitura e o cinema. Adoro seriados inteligentes e de super heróis, e às vezes algo meloso e fofinho pra dar uma equilibrada. Leio de tudo um pouco, mas sou fascinada por distopias, thrillers, fantasia e mitologia. Tenho uma queda pela escrita do Neil Gaiman e do Stephen King e adoro descobrir escritores novos de escrita instigante, principalmente os nacionais. Amo viajar e conhecer novas culturas e lugares históricos. Londres é meu lugar favorito no mundo e tive a oportunidade de desbravar essa maravilha de cidade três vezes. Já pisei em 12 países e só penso em aumentar a lista. Iniciei esse blog há 3 anos com o intuito de compartilhar experiências de um pouco de tudo: resenhas de livros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, dicas de inglês, experiências e pensamentos pessoais. Divirtam-se ♥

domingo, 31 de janeiro de 2016

EXPOSIÇÃO COMCIÊNCIA - PATRICIA PICCININI

Uma das melhores exposições que eu já vi no CCBB, foi o trabalho da artista australiana Patricia Piccinini, que é um enigma a ser desvendado por cada um de nós. Em um primeiro momento, suas obras causam estranhamento e até mesmo repulsa, entretanto, em um segundo instante, ela consegue aflorar nossas sensações mais profundas e belas, tirando-nos a mais sincera empatia, como se fosse um encontro entre o estranho com os nossos melhores sentimentos.


A artista fala sobre criaturas imaginárias e fantásticas, baseadas em pesquisas de ciência genética e análise do comportamento humano. Assim, ela explora a incerteza entre o futuro geneticamente modificado e a imaginação livre do sonho coletivo, os medos e os fascínios do inconsciente. Com técnicas de cinema, escultura e animação, Patrícia as mistura com o conhecimento científico para produzir imagens tridimencionais de seres que hoje nos parecem surreais, mas com os quais, com o passar do tempo e a convivência, poderíamos nos acostumar.




O Tão Esperado: podemos ver a transformação do tempo e o amor entre as espécies. A criatura, aparentemente mais velha, foi inspirada em um dugongo (animal que deu origem ao mito das sereias) e descansa no colo de um menino. Assim, vemos que existe harmonia entre ambos no plano real, e também no plano do sonho que compartilham, nos mostrando que o tempo da genética ultrapassa o tempo da consciência da vida e, ainda, que o tempo de espera torna-se irrelevante diante do tempo do amor. 


Demi Point: reproduz uma bota de meia ponta que não calça o ser que lhe transborda. Sim, ela tem vida, da qual nasce o desconhecido e apesar de existir na forma de uma peça utilitária, ganhou carne e fibras, como as nossas.



A Flor Bota: é a obra mais recente da artista. Feita a partir de uma bota de couro, simboliza a transformação de um animal em um objeto, que vira vegetal. É uma flor que põe ovos e tem em si um desejo de reprodução e, consequentemente, de sobrevivência. Posta em uma sala e rodeada por flores em forma de ovário, articula a fragilidade da flor com a assertividade da bota no universo feminino. 






O Visitante Bem-Vindo: o encantamento está nos olhos da criança e o estranhamento nos nossos. Assim, nos perguntamos: o que é bonito? Quando é que aprendemos a rejeitar outros seres? Inspirada em uma frase do pensador alemão Goethe, que diz que "a beleza é um convidado bem vindo em qualquer lugar", o ser aparentemente do mal, divide cena com um pavão, um animal cuja a maior vantagem seletiva é a beleza. Suas penas coloridas pouco servem para lutar ou caçar, mas destacam-se por sua exuberância, o que nos coloca a pensar sobre a percepção e a construção do que é realmente considerado belo. 



Grande Mãe: Imagine um macaco ou uma ama de leite geneticamente modificada para amamentar nossos filhos no futuro. A ciência nos apresenta este tipo de possibilidade, o que nos faz questionar a história ancestral da maternidade diante da dinâmica do mundo contemporâneo.




O Observador: Uma sensação de inquietude se destaca nesta obra, na qual um jovem garoto encontra-se pendurado de forma insegura no topo de uma pilha de cadeiras. Ele observa quem passa, possivelmente julgando cada um de nós, a partir de seus próprios critérios.No mesmo momento, nos preocupamos com a estabilidade duvidosa das cadeiras que parece estar pronta para entrar em colapso a qualquer momento.




A Confortadora: Uma menina adolescente encostada na parede com corpo cabeludo possui uma modificação genética conhecida como hipertricose, contudo ainda possui uma beleza diferenciada, até pelo que a difere. Seu instinto maternal é celebrado sem nenhum tipo de preconceito, confortando e afagando a criatura morfa que está em seus braços. A obra traz a reflexão de que, independente do jeito que seus filhos e filhas nascerem, os pais ainda os amarão incondicionalmente.




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Esfinge: Ao contrário do que se espera de esculturas hiper-realistas, esta obra possui uma representação indefinida. Foi criada para ter uma função única: a reprodução. Sua forma foi inspirada nas estatuetas de Vênus pré-históricas, e sua postura, na esfinge egípcia. É uma inversão contemporânea da representação da beleza e fertilidade.



A Força de um Braço: Quem e o que é esta figura que se equilibra em uma cabra? De longe, ela se assemelha a um garoto forte, talvez até um atlera olímpico. Mas há algo de incomum em seu corpo: ele não é 100% humano. Difícil definir de onde ele veio, talvez do mar, já que seu pé lembra a cauda de um golfinho. A conexão com a acrobática cabra canadense dá pistas de outras fontes genéticas de vigor. Seriam os seres modificados em laboratório protagonistas de novos recordes? Ao carregarem a genética de outros animais, seriam espécies superiores? Ou seriam super-heróis?



Substituto: Para evitar que espécies fossem extintas, desenvolveu-se uma nova linhagem de vombates. Esse tipo de marsupial australiano carrega diversos filhotes ameaçados em suas costas – ele funciona como uma chocadeira animal. Não seria mais simples, porém, parar de destruir o habitat natural destes seres e deixá-los procriar livremente? Patricia Piccinini nos convida a pensar por que é tão difícil abrir mão de nosso próprio conforto e por que somos tão fascinados por novas tecnologias.



De Bruços: Se você pudesse ter características de um animal, qual escolheria? Ou se pudesse passar uma carga genética para seu filho, o que mais priorizaria? O bebê que carrega traços de morcego suscita essa questão e nos instiga a imaginar que tipo de adulto ele será. Conseguirá se localizar em locais escuros com a ajuda de seus ouvidos que cptam pulsações sonoras? Irá se alimentar de frutas ou de outros animais? Recém-vindo ao mundo, não se parece dar conta de sua singularidade, o que nos faz pensar: quais serão as novas combinações genéticas que vamos querer induzir ao mundo?



Os Amantes: No momento em que a mecânica é inoculada com o orgânico, o nascimento do amor torna-se um possível efeito colateral, permitindo que as máquinas abandonem suas funções e formas em nome de uma emoção. A doçura e a intimidade de “Os Amantes” contradizem a imagem de dureza dos materiais inanimados. Neste universo as máquinas não precisam mais de nós.



Mecânica Transformada: A fronteira que separa o mundo natural do artificial está realmente clara? Para Patricia Piccinini, essas fronteiras são extremamente permeáveis. Os animais híbridos da série “Cyclepups”, chamados de “Highlander”, “Mistral” e “Lobo Carmesim”, exalam uma ternura que imediatamente concoca a empatia do espectador. Eles refletem a ideia da customização orgânica que a biotecnologia permite, o que, para a artista, é uma força positiva que resulta na criação de novos seres. Na cultura do carro, a customização representa a criatividade do indivíduo. Uma máquina que poder ser transformada em algo único e pessoal, destacando a relação entre a criação, o criador e o mundo. A comparação com um girino, um pequeno sapo, é inevitável. No sentido metafórico, estas obras também representam o lado masculino do trabalho de Patricia Piccinini.



O Golpe: Os papagaios são animais que vivem muito, chegam a ter até 80 anos. E por terem a habilidade de reproduzir os sons que ouvem, carregam consigo sabedoria e memória de outros tempos. Esse papagaio está sendo segurado por um garoto que, provavelmente tenha um quinto de sua idade. ''Se um simboliza o passado, o outro é a marca do futuro.'' O garoto não parece muito feliz, o que será que ele está ouvindo? Será que o papagaio lhe fala sobre coisas que já não existem mais? 




Indiviso: Quando aprendemos a estranhar ou a rejeitar outros seres? Na infância, somos mais abertos para o diferente.'' Nessa obra vemos um menino, uma criança que dorme tranquilamente abraçado a um ser que causa estranhamento em muitos adultos. Mas, ao mesmo tempo é impossível não se afligir pela criança tão vulnerável ao de lado de um animal criado em laboratório. Essa obra nos faz pensar sobre quem é o criador e quem é a criatura? 


BIOGRAFIA DA ARTISTA
Patricia Piccinini nasceu em Freetown, em Serra Leoa em 1965 e mudou-se para Austrália com sua família em 1972. Estudou pintura na Faculdade Victoria de Artes de  Melbourne e, logo após finalizar sua graduação, ingressou no projeto Basement Gallery, na qual foi coordenadora durante dois anos. Desde então ganhou o prêmio Australia Council New Media em 2001 e a residência Australia Council em 2006, sendo convidada a expôr em diversas instituições de cultura, museus e galerias.

Fonte: 
Guia da Semana
inRoutes

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