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Prazer, me chamo Kênia, moro em Brasília – DF, sou professora de inglês, canceriana, torcedora do Palmeiras, amante de chocolate e gatos. Tenho como paixão a música, especialmente o rock. Minhas bandas do coração são o Oasis e o Skank. No mesmo nível de paixão está a leitura e o cinema. Adoro seriados inteligentes e de super heróis, e às vezes algo meloso e fofinho pra dar uma equilibrada. Leio de tudo um pouco, mas sou fascinada por distopias, thrillers, fantasia e mitologia. Tenho uma queda pela escrita do Neil Gaiman e do Stephen King e adoro descobrir escritores novos de escrita instigante, principalmente os nacionais. Amo viajar e conhecer novas culturas e lugares históricos. Londres é meu lugar favorito no mundo e tive a oportunidade de desbravar essa maravilha de cidade três vezes. Já pisei em 12 países e só penso em aumentar a lista. Iniciei esse blog há 3 anos com o intuito de compartilhar experiências de um pouco de tudo: resenhas de livros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, dicas de inglês, experiências e pensamentos pessoais. Divirtam-se ♥

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

RESENHA: O COLECIONADOR - JOHN FOWLES

"Vê-la fazia-me sempre sentir como se estivesse capturando uma verdadeira raridade , como se me aproximasse com todos os cuidados, silenciosamente,de uma borboleta de cores difusas e muito belas. Sempre pensei nela como algo indefinível e raro, bem como refinado – não com outras palavras, mesmo as mais bonitas. Palavras de um autêntico conhecedor."


Sinopse: "O Colecionador" é o primeiro livro de John Fowles, escrito em 1963. O romance narra a história de Frederick Clegg, um funcionário público que coleciona borboletas e, subitamente, se torna dono de uma fortuna. Ele então passa a ter uma ambição: seqüestrar a bela Miranda, seu amor platônico. A trama se desenvolve com a disformidade da personalidade de Clegg, que tem a seu favor apenas a superioridade de força, contra a vitalidade e inteligência de Miranda que, contando com sua superioridade de caráter, confunde e ofusca o medíocre seqüestrador.

"(...) todos os loucos devem ser assim. Não são loucos na maior parte do tempo; com certeza que de certo modo. ficam tão surpreendidos como as outras pessoas, quando, finalmente, fazem algo de terrível. (...) Sou eu. Eu sou a sua loucura. Há muitos anos que ele procurava algo para libertar a sua loucura. E encontrou-me."

Frederick Clegg é um rapaz órfão, excluído da sociedade e muito solitário após a ter crescido em um ambiente turbulento, onde sua mãe era uma alcólatra, enfrentando a morte de seu pai e seu tio preferido, além de ter sua vida controlada por sua tia. 
Até o dia em que ele conhece Miranda Grey, uma estudante de arte de 20 anos, bonita e cheia de si, de quem ele se torna obcecado. Após ganhar uma fortuna em um bolão, a ideia de sequestrar Miranda começa a se tornar possível em sua mente, até que em uma noite, ele sorrateiramente a sequestra com a crença inabalável de que ela vai entender e aprender a amá-lo. 

"A única coisa que importa na vida é sentir e viver aquilo em que se acredita, desde que seja algo mais do que a crença no nosso próprio conforto."

Os dois protagonistas principais alternam na narrativa de detalhar seus pontos de vista. A primeira parte é dedicada a Frederick onde, nos somos apresentados ao seu plano terrível de sequestrar Miranda e vendo se tornar realidade. A segunda parte do livro é narrado pelo ponto de vista de Miranda, no formato de um diário, e inclui vários diálogos entre ela e Frederick, a quem ela se refere como ‘Caliban.’ A terceira e parte final do livro é narrada por Frederick novamente, e sem entregar muito da história, leva o leitor a sentir calafrios. Esse tipo de narrativa é incrível para um thriller psicológico já que é possível mostrar um retrato da personalidade de ambos personagens, sendo bastante eficaz em instigar uma reação emotiva e dando maior profundidade a situação.

"Todos nós queremos coisas que não podemos ter. Para que nos consideremos seres humanos decentes, precisamos de aceitar isso."

Fowles criou um personagem verdadeiramente assustador em Frederick Clegg e que continua a inspirar medo após o término da leitura. A forma como Fowles desenvolve os pensamentos de Frederick, constantemente se justificando para si mesmo os atos cometidos, mostra que estamos lidando com uma mente pra lá de complexa.  O plano meticuloso de comprar uma casa no interior, com um porão imenso e se certificando de estar em controle de todos os locais possíveis de fuga, é fascinante e ao mesmo tempo horrendo. A profundidade da descrição de "nova casa" de Miranda nos possibilita visualizar e nos colocar na posição da jovem.  

"Pedi-lhe, hoje, que me amarrasse, amordaçasse e me deixasse sentar nos degraus do jardim, para ver o céu. Um céu cinzento pálido. Vi pássaros voarem por cima das árvores. Pombos, creio. Ouvi ruídos exteriores. Já há dois meses que não via a luz do dia. A luz vivia. Fez-me chorar."

O diário de Miranda é um catálogo de reflexões sobre porque ela foi raptada, bem como a luta para compreender seu captor. Somos tragados para seus pensamentos que variam de usar chantagem emocional aos avanços sexuais, a fim de chegar à raiz da situação, a fim de encontrar uma forma de fuga. Há extratos contínuos de suas conversas com Frederick, que geralmente terminam com raiva e sarcasmo apenas para suprir a necessidade de qualquer tipo de contato humano, não importa quão vil. Suas repetidas divagações sobre G.P mostra Miranda como alguém que está lentamente ficando louco. O diário mostra sua análise constante da vida e os relacionamentos antes do porão e mais perto do fim do romance eles se tornam cada vez mais frequentes. 

"Faço todas as noites o que já não fazia há muitos anos. Deito-me e rezo. Não me ajoelho. pois sei que Deus despreza os que se ajoelham."

Este romance foi bem diferente de tudo que eu li antes, apesar de achar essa obra parecida com Dias Perfeitos, do Raphael Montes. Mas tenho que dizer que o caráter de Frederick certamente vai deixar uma lembrança duradoura. Eu não acho que houve um personagem que fez minha pele arrepiar como o Frederick. Livro super bem escrito e super bem recomendado aos amantes de um ótimo thriller psicológico.

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