Quem sou eu

Minha foto
Prazer, me chamo Kênia, moro em Brasília – DF, sou professora de inglês, canceriana, torcedora do Palmeiras, amante de chocolate e gatos. Tenho como paixão a música, especialmente o rock. Minhas bandas do coração são o Oasis e o Skank. No mesmo nível de paixão está a leitura e o cinema. Adoro seriados inteligentes e de super heróis, e às vezes algo meloso e fofinho pra dar uma equilibrada. Leio de tudo um pouco, mas sou fascinada por distopias, thrillers, fantasia e mitologia. Tenho uma queda pela escrita do Neil Gaiman e do Stephen King e adoro descobrir escritores novos de escrita instigante, principalmente os nacionais. Amo viajar e conhecer novas culturas e lugares históricos. Londres é meu lugar favorito no mundo e tive a oportunidade de desbravar essa maravilha de cidade três vezes. Já pisei em 12 países e só penso em aumentar a lista. Iniciei esse blog há 3 anos com o intuito de compartilhar experiências de um pouco de tudo: resenhas de livros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, dicas de inglês, experiências e pensamentos pessoais. Divirtam-se ♥

terça-feira, 15 de novembro de 2016

RESENHA: DEUSES AMERICANOS - NEIL GAIMAN

"Eu acredito que a vida é um jogo, que a vida é uma piada cruel, que a vida é o que acontece quando você está vivo e que você pode simplesmente relaxar e aproveitar."

Eu sou apaixonada pela escrita do Neil Gaiman, de longe meu escritor preferido! Ele é muito criativo e sempre coloca bastante mitologia em suas obras. Já li algumas obras dele como, Lugar Nenhum, Coisas Frágeis e Oceano no Fim do Caminho, todos com resenhas no blog, mas constantemente me sentia culpada por não ter lido Deuses Americanos, um de seus livros mais premiados.
Mas foi só a Intrínseca relançar uma edição sem cortes do livro, que aproveitei a oportunidade para adquirir e devorar o livro em 2 semanas! A edição inclui capítulos expandidos, uma entrevista exclusiva com o autor e um belo texto de introdução. É um tesouro da literatura!


Sinopse: Obra-prima de Neil Gaiman, Deuses Americanos é relançado pela Intrínseca com conteúdo extra, em Edição Preferida do Autor.
Deuses americanos é, acima de tudo, um livro estranho. E foi essa estranheza que tornou o romance de Neil Gaiman, publicado pela primeira vez em 2001, um clássico imediato. Nesta nova edição, preferida do autor, o leitor encontrará capítulos revistos e ampliados, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução.
A saga de Deuses Americanos é contada ao longo da jornada de Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de ser libertado e cujo único objetivo é voltar para casa e para a esposa, Laura. Os planos de Shadow se transformam em poeira quando ele descobre que Laura morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele conhece Wednesday, um homem de olhar enigmático que está sempre com um sorriso no rosto, embora pareça nunca achar graça de nada.
Depois de apostas, brigas e um pouco de hidromel, Shadow aceita trabalhar para Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos, um país tão estranho para Shadow quanto para Gaiman. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses — os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) —, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.
O que Gaiman constrói em Deuses americanos é um amálgama de múltiplas referências, uma mistura de road trip, fantasia e mistério — um exemplo máximo da versatilidade e da prosa lúdica e ao mesmo tempo cortante de Neil Gaiman, que, ao falar sobre deuses, fala sobre todos nós.


"Você precisa entender essa coisa de ser deus. Não é magia. E só ser você, mas aquele você em que as pessoas acreditam. É ser a essência concentrada e aumentada de si mesmo. É se transformar em trovão, ou no poder de um cavalo galopante, ou em sabedoria. Você absorve toda a fé e fica maior, mais legal, mais do que humano. Você cristaliza. Ele fez uma pausa.
- Então, um dia esquecem que existe, não acreditam mais em você e não fazem mais sacrifícios... não se importam, e quando você percebe, está misturando cartas pra confundir quem passa na esquina da Broadway com a Rua 43."

Deuses Americanos começa contando a história de Shadow, um homem bastante grande, que está prestes a ser libertado da prisão após ter cumprido três anos de pena. Contando os dias para sua saída, ele só desejava três coisas: tomar um bom banho de banheira, se secar e pegar a esposa Laura nos braços, e evitar problemas para o resto de sua vida.

Porém, dias antes de sua saída, ele é chamado na sala do diretor. Lá, ele é informado que será liberado dias antes, porque infelizmente sua esposa e seu melhor amigo, Robbie faleceram em um acidente de carro. 
Meio perdido, ele segue para Chicago, para enterrar sua esposa e tentar organizar sua vida.

No avião, ele conhece Wednesday, um senhor com um olho de vidro, que lhe oferece um emprego. Por achar aquela proposta meio estranha, Shadow não aceita.
Mas durante o enterro, ele descobre que sua esposa estava tendo um caso com Robbie e aquela notícia, juntamente com sua falta de perspectiva de vida, o motivam a aceitar o emprego oferecido por Wednesday.


"Você trabalha pra mim. "Você me protege. Você me ajuda. Você me leva de um lugar a outro. De vez em quando, você investiga... vai a alguns lugares e faz perguntas por mim. Compra suprimentos. Em uma emergência, mas só em uma emergência, você machuca pessoas que precisam ser machucadas. No caso improvável de eu vir a morrer, você prestará tributo a mim. E, em troca, eu tomarei providências para que suas necessidades sejam devidamente atendidas."

É ai que a história começa de verdade. De repente, Shadow se vê conversando com pessoas bem estranhas. O que ele não sabe é que eles são deuses e mitos. Deuses nórdicos, eslavos, egípcios, africanos, celtas, etc. Deuses que, com o passar do tempo, foram esquecidos o que os leva a perder a força e o sentido da sua existência. Deuses poderosos como Odin, Anansi, Czernobog e Loki passam a viver como pessoas comuns nas ruas dos Estados Unidos. 
Seu misterioso chefe é um deus também, conhecido como Odin. (Curiosidade: Quarta-feira é o Dia de Odin na mitologia nórdica, por isso, o nome Wednesday).
Sempre com muita calma, Shadow vai se aprofundando em um mundo sobrenatural que pelo menos a princípio, causaria umm ceticismo na maioria das pessoas.

Shadow trabalha como motorista e assistente de Wednesday em uma missão para reunir todos os deuses antigos que foram para os EUA a lutar contra os novos deuses para retomar o poder sobre as pessoas. Eles saem literalmente de porta em porta, tentando convencer antigos deuses a unir-se a eles. E é nessa jornada que Shadow começa a perceber que possui um papel mais importante do que o de um simples assistente. 


"Existem novos deuses crescendo nos Estados Unidos, apoiando-se em laços cada vez maiores de crenças: deuses de cartão de crédito e de auto-estrada, de internet e de telefone, de rádio, de hospital e de televisão, deuses de plástico, de bipe e de néon. Deuses orgulhosos, gordos e tolos, inchados por sua própria novidade e por sua própria importância. Eles sabem da nossa existência e tem medo de nós, e nos odeiam – disse Odin. – Vocês estão se enganando se acreditam que não. Eles vão nos destruir, se puderem. Ë hora de a gente se agrupar. E hora de agir. "

Gaiman cria uma narrativa bem construída, que nos leva por uma viagem pelos Estados Unidos de hoje na busca dos seres da história antiga. É uma aula de mitologia, tanto do passado quanto dos dias atuais. É impressionante a quantidade de divindades descritas por Gaiman, dá pra perceber o quanto seu trabalho de pesquisa foi bem acurado. Vale a pena ler o livro e fazer uma pesquisa depois, somente para conhecer mais a fundo.

Deuses Americanos é um livro que diverte bastante. Apesar de longo, não há altos e baixos: a narrativa é bem construída e todo o processo de leitura é agradável. Para não entregar a história toda de uma vez, Gaiman por vezes, interrompe a narrativa para contar uma pequena história que se passou há duzentos anos ou que se passou na noite anterior, a dois mil quilômetros de onde Shadow está. 

"Posso acreditar em coisas que são verdade e posso acreditar em coisas que não são verdade. E posso acreditar em coisas que ninguém sabe se são verdade ou não."

São tantas partes interessantes desse livro, mas preciso destacar a parte que eu mais gostei, quando Shadow é levado para Lakeside, uma cidadezinha do Meio-Oeste. Cidade tranquila, que vai ajudar Shadow a ficar longe de qualquer encrenca. As pessoas são muito amigáveis e paira uma vibração de cidade perfeita. Até uma adolescente sumir misteriosamente e Shadow descobrir que a cada ano, no inverno, uma criança some, o que aparentemente é aceito pelos moradores como algo normal. O desfecho desse mistério, e de tantos outros são encaixados de forma tão perfeita pelo Gaiman que me faz cada vez mais admirar seu trabalho e querer ler mais desse escritor incrível!

Uma série produzida pela Hbo do universo de Deuses Americanos está prevista para ser exibida em 2017. Um teaser desse show incrível já foi liberado e está deixando os fãs dessa obra na maior ansiedade. Que chegue logo 2017! ♡




"Não só não existem finais felizes, como também não existe final nenhum."

Nenhum comentário:

Postar um comentário