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Prazer, me chamo Kênia, moro em Brasília – DF, sou professora de inglês, canceriana, torcedora do Palmeiras, amante de chocolate e gatos. Tenho como paixão a música, especialmente o rock. Minhas bandas do coração são o Oasis e o Skank. No mesmo nível de paixão está a leitura e o cinema. Adoro seriados inteligentes e de super heróis, e às vezes algo meloso e fofinho pra dar uma equilibrada. Leio de tudo um pouco, mas sou fascinada por distopias, thrillers, fantasia e mitologia. Tenho uma queda pela escrita do Neil Gaiman e do Stephen King e adoro descobrir escritores novos de escrita instigante, principalmente os nacionais. Amo viajar e conhecer novas culturas e lugares históricos. Londres é meu lugar favorito no mundo e tive a oportunidade de desbravar essa maravilha de cidade três vezes. Já pisei em 12 países e só penso em aumentar a lista. Iniciei esse blog há 3 anos com o intuito de compartilhar experiências de um pouco de tudo: resenhas de livros, viagens pelo Brasil e pelo mundo, dicas de inglês, experiências e pensamentos pessoais. Divirtam-se ♥

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

RESENHA: OS FILHOS DE ANANSI

"Histórias são como aranhas, com todas aquelas pernas compridas. E histórias também são como teias, coisas em que os homens acabam se embolando, mas que parecem lindas quando as vemos sob uma folha coberta pelo orvalho da manhã, além de terem a mesma forma elegante de se conectarem uma com as outras, todas juntas."

Neil Gaiman é meu escritor favorito e estava em dívida em ler Os Filhos de Anansi. Depois de ler Deuses Americanos e me apaixonar pelo deus africano, Anansi, que faz uma breve, mas super significativa aparição na trama, tive que começar a leitura. Foram duas semanas super prazerosas, que eu não queria que chegassem ao fim.


Sinopse: Charlie Nancy tem uma vida pacata e um emprego entediante em Londres. A pedido da noiva, ele concorda em convidar o pai para seu casamento e fazer uma tentativa de reaproximação, já que há vinte anos os dois não se falam. Enquanto isso, no palco de um karaokê na Flórida, o pai de Charlie tem um ataque cardíaco fulminante. A viagem de Charlie até os Estados Unidos para o funeral acaba se tornando a jornada de uma nova vida. Charlie não tinha ideia de que o pai era um deus. Menos ainda de que ele próprio tinha um irmão. Agora sua vida vai ficar mais interessante... e bem mais perigosa. Embrenhando-se no território de lendas e deuses pagãos, a poderosa narrativa de Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história fantástica e bem-humorada sobre relações familiares, profecias terríveis, divindades vingativas e aves muito malignas.

"Coisas impossíveis acontecem. E quando acontecem, a maioria das pessoas apenas lida com elas. No dia de hoje, como em todos os dias, cerca de cinco mil pessoas na face da Terra vão experimentar coisas que acontecem uma vez em um milhão, e nenhuma delas vai recusar a acreditar nas provas que seus sentidos lhe oferecem. A maioria vai dizer, em sua própria língua, o equivalente a: Que mundo estranho, não é? E depois vai seguir em frente."

Charles Nancy é um americano tímido, desajeitado e sem muitos atrativos, que leva uma vida tranquila na Inglaterra. Ele é chamado de Fat Charlie por todo mundo, mesmo sem ser gordo. Trabalha na agência Grahame Coats, onde seus próprios colegas não sabem (ou não se importam) quem ele é, já que passa despercebido pelas pessoas no geral.

Em uma conversa com sua noiva, Rosie, sobre quem convidar para o casamento deles, eles começam a conversar sobre o Sr Nancy, seu pai, um homem brincalhão e agradável, que não perdia oportunidades para tirar sarro do filho. Rosie faz questão que o pai de Fat Charlie seja convidado, enquanto o coitado não consegue imaginar um momento tão importante de sua vida e seu pai lá, para ridicularizá-lo, como ele sempre fez.

Decidindo agradar sua noiva, ele resolve convidar seu pai para o casamento. Mas como falar com ele, se eles não se falam há 20 anos? O único jeito seria ligar para Sra Higgler, uma senhora viciada em café e muito amiga do Sr Nancy. Ao ligar, ele descobre que seu pai não poderia ir ao casamento, porque tinha falecido na noite anterior, em uma situação meio constrangedora.

"Eu sou o sujeito mais forte, o mais poderoso que já existiu ou que vai existir – anunciou Anansi. – Sou mais feroz que o Leão, mais rápido do que o Guepardo, mais forte que o Elefante, mais terrível que o Tigre. – Ele estufou o peito de orgulho com seu poder, sua força e sua ferocidade, e esqueceu que era apenas uma pequena aranha."

Fat Charlie viaja para a Flórida, para o enterro de seu pai e conversando com a Sra Higgler, ele descobre que seu pai era Anansi, o Deus-Aranha, dono de todas as histórias do mundo; e que tem um irmão semideus chamado Spider, de quem nunca ouviu falar, que herdou todos os poderes do pai. 
A Sra. Higgler conta que, se Charlie quiser encontrar seu irmão, basta pedir a uma aranha. Por coincidência e muita curiosidade, Charlie vê uma aranha e, sem acreditar muito, pede que ela convide seu irmão para aparecer a qualquer hora. E não é que ele aparece?

"É difícil passar a vida inteira sem ver o irmão. É difícil ele ter passado tanto tempo sem nem saber que você existia. E é mais difícil ainda quando você finalmente o encontra e descobre que, na opinião dele, você não é melhor que um peixe morto."

Spider entra na vida de Charlie e faz um alvoroço já no primeiro dia. Ele finge ser o irmão no trabalho e descobre por acaso que muita coisa está errada por lá, já que o chefe de Charlie desvia dinheiro de seus clientes, coisa que Fat Charlie nunca prestara atenção. Ele meio que ameaça o chefe, com seu tom humorístico, colocando seu irmão em maus lençóis.
Além disso, ele conhece a Rosie e fica caidinho por ela, abalando o relacionamento de seu irmão, já que ela também está encantada, pensando em como nunca tinha se sentido daquela forma no início do relacionamento.
E pra piorar, ele decide morar com o irmão, no quartinho das bagunças, que é transformado em uma coisa inacreditável, com um sol tropical (em plena Londres cinza), uma cachoeira ao fundo e muito mais coisas relaxantes que, na lógica, não caberiam naquele cubículo.

"Spider sempre se divertia. Era o que fazia. Era uma coisa importante. Não saberia identificar a culpa nem se tivesse um guia ilustrado com todos os componentes claramente identificados. Não é que fosse irresponsável, era mais como se não tivesse comparecido no dia em que distribuíram a responsabilidade."

A vida de Fat Charlie é virada do avesso e ele decide procurar algum meio pra fazer Spider desaparecer de sua vida, já que pedindo educadamente não funcionara.
Ele liga para a Sra Higgler e descobre que precisa voar para a Flórida novamente, para conseguir uma forma mágica de se livrar de seu irmão. É aí que a história começa de verdade. As coisas não sairão bem como o planejado e um velho inimigo de Anansi irá se manifestar para tentar obter vingança.
Acompanhamos uma série de conflitos entre os irmãos, que são bem diferentes. Charlie é tímido, desajeitado, odeia escândalos (muito pelo trauma com seu pai) e leva uma vida sem graça e tranquila na Inglaterra. Já Spider, é o cara que todo mundo gostaria de ser, festivo, descolado, presunçoso, que usa seu charme para atrair atenção para si.

"Se alguém ficasse perto de Spider em um dia que ele estivesse feliz, a vida daquela pessoa pareceria um pouco mais alegre. Se ele cantarolava uma canção, outras pessoas ao redor começavam a cantarolar no mesmo tom, como se fosse um musical. Claro, se ele bocejasse, cem pessoas próximas bocejariam, e se ele estivesse infeliz, o sentimento se espalharia como névoa úmida sobe um rio, tornando o mundo ainda mais lúgubre para todos os afetados. Não era algo que ele fazia. Era algo que ele era."

Ler Os Filhos de Anansi foi tão incrível, que eu enrolei pra que a leitura não acabasse. Spider é o personagem que iremos simpatizar logo de cara enquanto Fat Charlie vai crescendo e se descobrindo no decorrer da trama. O bacana é que há momentos em que sentimos orgulho pelas decisões tomadas e pelo seu amadurecimento e outras hilárias, como a parte em que ele recebe um limão, é de rolar de rir.

Eu li a nova edição lançada pela Intrínseca que conta com uma cena cortada, além de respostas para duas questões que são sempre perguntadas ao autor de Sandman: como você ousa e de onde você tira suas ideias?
Eu não conheci Neil Gaiman lendo Os Filhos de Anansi, mas se eu tiver que recomendar algo para aqueles que querem se deixar aventurar no mundo incrível que Gaiman cria, esse livro é um dos mais interessantes para começar, já que mistura humor, romance e o sobrenatural, com uma escrita única.

"Estar morta provavelmente é como tudo mais na vida: você aprende um pouco no processo e depois inventa o resto."

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